Sadomasoquismo

Velhos, broxas, com caras enrugadas rebocadas de maquiagem… sao machos alfas? Fosse o mundo comandado pela bruteza que pregam e já teriam sido banidos por algum fortão mais jovem.

Não são inteligentes, se expressam mal, são broncos, envergonham qualquer um com um conteúdo intelectual acima de um golfinho.

Não conseguem se aprofundar em qualquer assunto, não aceitam a cara de seu povo, são rancorosos, passam a vida atacando os outros, não dão sinal de empatia, vivem para negar, destruir, sem uma ideia original, só um amontoado de frases feitas, senso comum medíocre, sem uma ideia original… A originalidade aparente não passa da desfaçatez de pronunciar coisas reprováveis, de tentar atiçar instintos reprimidos socialmente desde o código de Hamurabi.

Quando se olha direito, os dois são diferentes… Em um é possível enxergar o reconhecimento de sua mediocridade, por trás das bravatas vê-se em seu olhar que admite não ter tamanho e relevância para a sua função, a impressão que causa em muita gente é de pena, é um “café com leite” e por isso ninguém leva a sério nada que fala, a cada transgressão cometida, os demais, como conhecedores da etiqueta, tentam lhe forjar modos, mas ele não os quer, não os respeita, ele quer impor a sua etiqueta, é o convidado da festa que arrota na mesa e dá em cima da aniversariante, ele é o mais grotesco. No outro pode-se ver a cauda de pavão, a forma como gesticula e fala de maneira assertiva, exageradamente ritualística, a maneira de falar de quem é altamente seguro e está transbordando de autoconfiança. O primeiro é o imbecil consciente, o segundo, o ignorante iludido.

Mas juntos se retroalimentam, a servidão canina do primeiro cresce a cada afago desatento de seu dono, que sente-se ainda mais empoderado pela língua em sua sola. Juntos, os dois normalizam a loucura e o inconcebível e nos tornam a cada dia mais cretinos.

Trem desgovernado

Hoje recebi a seguinte mensagem:

“É inacreditável o estágio de letargia do país, um dia o presidente esculhamba o povo brasileiro, noutro o ministro esculhamba as “empregada”… É tudo normal”

Tudo está normal? Ao menos é o que parece pela aparente calmaria nas ruas, mas a cada dia a normalidade se torna mais angustiante com o governo avançando de maneira indistinta sobre os direitos da população.

Não dá para dizer que há uma maioria de apoiadores do governo, o chamado bolsonarismo de raiz, o núcleo duro que apoia todas as loucuras do presidente, é bem pequeno, alguns estimam algo entre 15 e 20%.

Então por que as pessoas não se revoltam?

Bem…

O chamado povão parece estar à margem de todo processo, parte sem capacidade de mobilização e muitos desinformados que não estão acompanhando as peripécias quase diárias do governo.

A classe média embarcou no lema “a culpa é do PT” e com isso coloca todos os resultados ruins na culpa dos governos passados enquanto ignora a completa falta de projeto. Uma fração ainda crê em Paulo Guedes e passou a relativizar o preço do dólar, falta de crescimento e o desemprego.

Parte da imprensa apoia o governo incondicionalmente de olho nas verbas da Secom enquanto outra parte critica não querendo criticar para não desagradar os anunciantes sedentos pelas negociatas ultraliberais. Tudo isso contribuindo para manter o povo alheio a tudo.

Os militares são o governo.

O Judiciário parece já ter alcançado o objetivo máximo da justiça divina: retirar os direitos políticos de Lula. Rachadinhas, milícia, queima de arquivo, morte da Marielle, tudo isso é secundário e não merece atenção.

O funcionalismo público, com medo de retaliações, não se posiona frente aos ataques, são chamados de parasitas, vêem a reforma adminstrativa evoluindo e apesar disso fazem a política da mansidão.

A oposição parece só conseguir olhar para as eleições e se dividir cada vez mais. Não procuram mobilizar, informar e nem resistir.

E enquanto isso, ninguém tenta parar o trem desgovernado.

2+2=4

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Sempre escuto a frase de que estudamos história para que possamos aprender com as experiências passadas e não repetir os erros. Mas a visão histórica em geral é vendida como uma série de acontecimentos encadeados que contribuem de maneira lógica para um desfecho inexorável. É como se o script só pudesse seguir por um caminho, pinçamos fatos que se encaixem na explicação que acreditamos e pronto, criamos uma relação de causa e consequência que nos satisfaz, muitas vezes retirando o papel do imponderável, o caráter aleatório dos eventos e a imprecisão da reação humana.

O exercício do olhar retrospectivo nos traz a vantagem de já conhecermos os desfechos factuais, nenhum historiador irá duvidar de que a Alemanha perdeu a Segunda Guerra Mundial, mas as causas da derrota podem ser alvo de discussões e de diferentes pontos de vista, é como olhar o resultado de um problema de matemática e tentar desenvolver os cálculos que o levaram até ele.

Mas e o olhar inverso? Será que conseguimos vislumbrar o resultado conhecendo todas as incógnitas que estão a nossa frente?

Vivemos um momento histórico conturbado, movimentos de extrema direita ganham espaço por todo mundo, há uma crise migratória na Europa, discursos abertamente xenofóbicos e racistas voltam a ganhar espaço, tudo parece fugir das previsões “lógicas”. Eleição de Trump nos EUA, de Bolsonaro no Brasil, Brexit… São todos acontecimentos que ainda não foram totalmente compreendidos e isso nos traz a pergunta, se não conseguimos explicar o que aconteceu como podemos acreditar que somos capazes de saber os próximos passos?

 Simplesmente não sabemos, estamos perdidos em meio a uma enxurrada de informações e temos dificuldade de filtrá-la e desvendar sua importância. Hoje vimos mais um sinal de tempos sombrios, o jornalista Glenn Greewald foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter, segundo o MPF, participado da invasão de celulares de autoridades brasileiras.

A denúncia contraria uma decisão do STF que impedia que o jornalista fosse investigado por praticar seu ofício e ignora o relatório da Polícia Federal que não havia encontrado indícios de envolvimento de Greewald no hackeamento.

Em suma, esse é mais um dos ataques sistemáticos que vêm ocorrendo no país a todos aqueles que não concordam com a escalada autoritária e com os rumos que o país vem tomando nos últimos anos.

O impeachment da Dilma só foi possível porque a balança da sociedade mudou, muita gente ignora o poder da burocracia institucional nas tomadas de decisão mas, nos últimos anos, ainda que sentado na cadeira presidencial, o poder do PT foi se esfacelando e os mecanismos de garantia da estabilidade institucional foram sendo dilapidados. A partir de um determinado momento, as instituições começaram um processo de boicote aberto do governo, boicote este endossado pela oposição e insuflado pela mídia.

Ministério público, Polícia Federal, Justiça, Congresso, todos tinham carta branca para fazer o necessário para impedir o PT, que foi alçado à posição de inimigo público número 1. Interpretações heterodoxas da constituição, vazamento de processos judiciais, conduções coercitivas, prisões prolongadas, denúncias pouco fundamentadas contra políticos, tudo era permitido.

Tiraram o PT, veio o Temer, agora o Bolsonaro, mas os métodos não cessaram, só foram se espalhando, agora o alvo não é apenas o PT, ou a esquerda, agora todos que se opõem à lógica Bolso-lavajatista são chamados de comunistas e viram alvo de ataques, parece aquele velho ditado: “crie corvos e eles te arrancarão os olhos”.

Olhando nossa história, lembramos que os políticos de direita que apoiaram o golpe de 1964 acreditando que iam se beneficiar foram cassados e os meios de comunicação que estamparam a vitória da democracia e classificaram o golpe como revolução, logo foram censurados e tiveram que participar do jogo sujo para sobreviverem, no entanto estes atores parecem fazer os mesmos movimentos agora.

Só há duas opções: ou eles sabem exatamente para o que estão contribuindo e, portanto, são uns canalhas, ou não enxergam dois palmos além dos seus olhos.

Pode ser que nenhuma das previsões de catástrofe se concretize, afinal os rumos da história são imprevisíveis, mas não podemos ignorar todos os sinais, estamos assistindo a uma escalada autoritária, a cada dia avançam mais sobre nossas garantias testando nossa capacidade de resistência, a denúncia do Glenn Greenwald é mais um dos muitos ataques à democracia que estão sendo perpetrados.

Voltando à pergunta acima “será que conseguimos vislumbrar o resultado conhecendo todas as incógnitas que estão a nossa frente?”, terminarei reescrevendo-a assim: será que é muito difícil ver o resultado de um governo que apoia milícias, defende o direito de matar, diz que os inimigos políticos não podem ser vistos como gente, abriga ministros com pensamento nazista e ataca todo mundo que o critica? Dois mais dois só pode ser quatro.

Iceberg

A cada dia este governo nos surpreende com uma nova história mais estranha que a ficção. Desta vez, o secretário de cultura foi exonerado por fazer menção a um discurso de Goebbels, a mente por detrás da propaganda nazista.

Sentado numa mesa, com voz empostada, foto do presidente na parede fazendo a vez de Fürher, trecho sonoro da ópera Lohengrin de Wagner, composição favorita de Hitler, o ex-secretário declara:

“a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.

No dia seguinte, ao ser questionado sobre o “copia e cola” feita com o texto nazista, ele se saiu dizendo que não sabia da origem do texto, que o mesmo havia sido “trazido por assessores”, mas que independente da origem “ a frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo – é o que queremos ver na Arte nacional”.

Sem querer abusar muito dos lugares comuns, mas esse é a clássica emenda que sai pior que o soneto. Ele faz um mea culpa tímido e arrependido mas logo volta a defender o conteúdo, o que ele diz ser “perfeita”, é a ideologia nazista sobre arte.

Admitamos que ele realmente desconhecesse a origem da frase no momento em que a utilizou, então este seria um caso de match ideológico, se houvesse um tinder das ideologias, nosso mais novo ex-secretário veria a descrição da bio:

“Arte é só aquilo que definimos como arte.

Tudo que não seguir nosso pensamento será classificada como arte degenerada.

A arte deve enaltecer o que entendemos por nacionalismo.

Deve enaltecer nossos mitos fundacionais.

Deve estar vinculada às aspirações do nosso povo, ou não será nada”.

Ele olharia, analisaria a foto do carinha com braço direito em riste no perfil e daria um “like”.

Não é de se surpreender, quando analistas começaram a apontar as semelhanças entre o discurso bolsonarista e o discurso nazista muitos vieram dizer que era exagero ou que o termo nazista estava sendo banalizado.

Mas vamos olhar para o conteúdo da mensagem, o presidente acaba de falar que a “esquerda não merece ser tratada como pessoas normais”, a todo momento ele atribui todas as mazelas do país aos esquerdistas, os corruptos, sujos, desumanos, dignos de ódio, assim como o nazismo fazia com os judeus.

O lema “ Brasil acima de todos”, lembra o “Deutschland über alles” ( Alemanha acima de tudo), mesmo que aqui, isto fique só na retórica já que o lema real parece ser “ America first” ( América em primeiro).

Outra tática que parece ter sido utilizada ao pé da letra é a famosa frase “uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade”, atribuída a Goebbels. Não bastou se eleger com uma enxurrada de “Fake News”, o governo a cada dia se utiliza sistematicamente da mentira para impor sua versão: contesta dados científicos de queimadas na Amazônia, acusa o Greenpeace de ter derramado óleo no litoral brasileiro, óleo que antes havia sido creditado aos Venezuelanos, divulga, através dos filhos do presidente, fotos falsas de adversários, acusa o Leonardo DiCaprio de financiar queimadas… Tudo isso enquanto diz que “ a verdade vos libertará”.

E agora um secretário da cultura que vê na visão nazista da arte um rumo a ser seguido. Para os nazistas, a arte era apenas mais um meio de propaganda do regime e, assim sendo, devia exaltar todos os valores que eram caros ao governo. Tudo que fugisse desse padrão era tido como “arte degenerada” e era portanto repudiado e reprimido.

Esta visão mesquinha é apenas um traço do totalitarismo e da visão ditatorial do bolsonarismo. A tão citada guerra cultural travada por eles nada mais é do que uma tentativa de fazer com que o país, provavelmente mais diversificado do mundo, fique contido na visão reducionista que eles têm sobre o que é ser brasileiro.

Se para o nazismo a raça ariana devia ser preservada e salva da “contaminação” promovida pelos judeus e outras etnias. O bolsonarismo parece ter definido o “cidadão-de-bem” como o brasileiro de verdade que deve se ver livre dos esquerdopatas. O “cidadão-de-bem” parece ser o sujeito de classe média, preferencialmente homem, cristão, heterossexual, conservador de costumes, liberal na economia e que xingue o Lula e o PT nos grupos de whatsapp.

Tudo isso são sinais, hoje em dia, olhando em retrospectiva, não acreditamos como foi possível que o povo alemão tenha deixado Hitler ir tão longe, no começo ele era só um palhaço, um antistablishment, um não político, alguém que ia chegar e mudar tudo, que não tinha vergonha de falar o que pensava, que era simples, autêntico. No começo eles olhavam as declarações deles e viam apenas um pequeno pedaço de gelo, hoje em dia sabemos que era um iceberg.

Por um Estado de sanidade

Uma das grandes características do Brasil atual é a insanidade. Existe uma loucura planejada que pende tanto a balança que acaba nos tirando qualquer referência de padrão e nos faz concordar com pessoas inimagináveis. 


Falam tanto em polarização, mas acho que muitas vezes as pessoas não se dão conta do que realmente está ocorrendo. Há um certo tempo, a divisão deixou de se dar entre direita x esquerda, por mais que a todo momento qualquer um que discorde de algum delírio do governo seja tachado de “comunista”, a disputa não é de orientação política, a disputa é entre a loucura e a sanidade, entre o inteligível e o non-sense.


Hoje estava lendo sobre o apoio dos líderes evangélicos à criação do novo partido do Presidente e sites traziam a seguinte frase:”Eu sou tremendamente contra qualquer tentativa de instrumentalizar a igreja para partidos políticos”.


Não há nada mais óbvio. Até mesmo pela lógica cristã a famosa frase “Dai a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de César”, já é uma demonstração de separação entre o Estado e Deus. Ainda sobre isso há outra passagem : “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos pelejariam, para não ser eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.


Mas qual não foi minha surpresa ao ver que frase é do Malafaia. Isso mesmo, o Bolsonaro fez o Malafaia parecer um ateu e defensor ferrenho do estado laico.
Se até o Malafaia ficou indignado, imagina o que diria o cara que perdoou o ladrão crucificado a seu lado, ao ver seus fiéis apoiando a criação de um partido que, antes de existir, já ostenta seu símbolo esculpido com munições.

Um pixel num frame

Lembro-me de um dia, durante o ensino médio, em que meu professor de Geografia disse que a Iugoslávia deixaria de existir e passaria a se chamar Sérvia e Montenegro. Eu não acreditei.

Acho que foi q primeira vez que parei para pensar sobre a irrelevância de nossa vida em relação ao tempo histórico.

O conhecimento atual nos diz que o universo tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos. Isso significa que por mais que consigamos esticar nossos anos de vida, nossa estada aqui não representará mais que um pixel irrelevante na imagem do universo.

Mesmo se analisarmos as coisas sob o ponto de vista histórico veremos que possuímos uns poucos milhares de anos de registros e escritos, alguns fósseis que trazem mais questionamentos do que respostas e grandes pontos de interrogação em todas as direções.

Parece que a dúvida e a mudança sempre fazem parte das poucas certezas que nos perseguem.

Oráculos e profetas não existem mais. Hoje algoritmos tentam prever nosso futuro mas mesmo eles trabalham com conceitos estatístico. Somos perspicazes. Ao notar que seria impossível prever com precisão mecânica, começamos a trabalhar com a incerteza. Chutamos, nos aproximamos infinitamente da resposta, mas admitimos que nunca a conheceremos verdadeiramente, passamos a encarar a dúvida como parte de tudo que existe.

Mas não há qualquer indício de que este é o modelo de pensamento final. Pelo contrário, a mudança é o que há de mais constante na história. Nômades, animistas, politeísta, monárquicos, republicanos, parlamentaristas, democráticos… A cada época elegemos uma nova forma de se organizar, de pensar, de agir.

Há quem busque a certeza, quem ache que o conhecimento trará respostas exatas capazes de dar alivio, quem queira escutar que nada mudará, que tudo será sempre do jeito que sempre foi. É de se compreender, afinal é frustrante passar a vida toda aprendendo sobre o mundo e ao final perceber que não chegou nem perto de entendê-lo e, pior, concluir que ele já mudou tanto que o pouco que sabe não serve mais.

Depois de atestar que a Iugoslávia não existia mais, me perguntei no porquê de acreditar tanto na solidez dessas criações teóricas. As vezes tudo parece ser eterno, mas é porque somos apenas um pixel dentro de frame de um longa metragem e, apesar disso, não aproveitamos a liberdade que nossa insignificância nos traz, ao invés disso, estamos preocupados com o que vão achar de nossa roupa, das nossas preferências e atitudes.

De qualquer forma, daqui a milhares de anos, seremos retratados como selvagens incautos, nossas religiões serão mitos, nossa ciência, primitiva e nosso modo de vida atrasado. E talvez , algum aluno duvidará que seus ancestrais vieram da terra e acreditavam que tudo se movia abaixo da velocidade da luz.

O passado nos espera

“Guerra é paz”, ” Liberdade é escravidão”, “Ignorância é força”, esses são lemas do governo no livro “1984”, escrito por George Orwell em 1949. A história se passa em um universo distópico em que um partido único controla todos os cidadãos através do monitoramento sistemático e da repressão.


O governo é dividido em ministérios criados para manter o regime, o Ministério da Verdade é responsável pelas falsificações de documentos e registros históricos, o Ministério da Paz pela guerra e o Ministério do Amor é o que faz a repressão à população. 


Olhando o Brasil de 2019 parece que estamos sendo governados por um ajuntamento de figuras dignas de uma criação Orwelliana.


Temos um ministro das relações exteriores que se auto denomina antiglobalista, conclama Donald Trump como a salvação do mundo ocidental e reconhece o governo de um presidente auto-proclamado.


O ministro do Meio Ambiente foi condenado por improbidade administrativa sob a acusação de falsificar mapas para favorecer mineração em áreas de proteção ambiental.


O ministro da Educação destila, diariamente, sua falta de educação no Twitter, com frases cobertas de erros de português e ataques às universidades federais.

Em resposta a um dos maiores desatres ambientais ocorridos no litoral brasileiro, o secretário da pesca afirmou que não havia risco de contaminação dos cardumes pois peixe é um bicho inteligente e foge da mancha de óleo.


O Ministro da Justiça, que ganhou o emprego ao prender o principal adversário do seu chefe na corrida presidencial, ora faz as vezes de vigário, perdoando crimes de aliados que tenham se arrependido verdadeiramente, ora a de advogado da família do patrão impedindo as investigações de rachadinhas e assassinato.


Na Fundação Palmares, um negro que é contra movimento negro defende que a escravidão chegou a ser benéfica aos descendentes, visão que não deve ser compartilhada pela maioria negra e pobre que ainda vive os reflexos da escravidão e do racismo estrutural brasileiro.


Da Funarte partem ataques aos artistas, do Ministério de Direitos humanos sinais de que direitos humanos são só para homens direitos, seja lá o que isso signifique.


Tudo ocorrendo sob o comando de um presidente que foi deputado por 7 mandatos sem ser político; que é um cristão defensor da tortura e da pena de morte; que se elegeu fazendo uso extensivo de fakenews e vive repetindo que “a verdade vos libertará”; que lança o nome de seu filho para se tornar embaixador sem fazer nepotismo; que ataca a imprensa, as mulheres, os gays, a justiça, o legislativo, os aliados, a oposição, os movimentos sociais, o próprio partido, o presidente da França, a mulher do presidente da França, o Leonardo de DiCaprio… Depois de ter prometido unir o país.


No livro 1984, o Ministério da Verdade desenvolveu o duplipensar, que corresponde a um conceito segundo o qual é possível ao indivíduo conviver, ao mesmo tempo, com duas crenças diametralmente opostas e aceitar ambas. Só assim podemos entender esse governo desgovernado que atenta contra as garantias que o levaram ao poder, guiado pela ideologia de um ex-astrólogo, ex-islâmico e atual filósofo auto-diplomado e eterno charlatão enrustido.


Nos habituamos ao duplipensar, nos acostumamos a um governo que junta astronauta e terraplanistas, que quer uma polícia assassina, que abriga milicianos cristãos, que levou uma horda de ignorantes ao poder e a um presidente que bate continência para a bandeira de outro país enquanto repete “Brasil acima de tudo”. Nada mais nos choca, perdemos a capacidade de nos indignar e permanecemos na inércia enquanto somos levados rumo à Idade Média, com uma breve parada em 1984.