Um pixel num frame

Lembro-me de um dia, durante o ensino médio, em que meu professor de Geografia disse que a Iugoslávia deixaria de existir e passaria a se chamar Sérvia e Montenegro. Eu não acreditei.

Acho que foi q primeira vez que parei para pensar sobre a irrelevância de nossa vida em relação ao tempo histórico.

O conhecimento atual nos diz que o universo tem aproximadamente 13,7 bilhões de anos. Isso significa que por mais que consigamos esticar nossos anos de vida, nossa estada aqui não representará mais que um pixel irrelevante na imagem do universo.

Mesmo se analisarmos as coisas sob o ponto de vista histórico veremos que possuímos uns poucos milhares de anos de registros e escritos, alguns fósseis que trazem mais questionamentos do que respostas e grandes pontos de interrogação em todas as direções.

Parece que a dúvida e a mudança sempre fazem parte das poucas certezas que nos perseguem.

Oráculos e profetas não existem mais. Hoje algoritmos tentam prever nosso futuro mas mesmo eles trabalham com conceitos estatístico. Somos perspicazes. Ao notar que seria impossível prever com precisão mecânica, começamos a trabalhar com a incerteza. Chutamos, nos aproximamos infinitamente da resposta, mas admitimos que nunca a conheceremos verdadeiramente, passamos a encarar a dúvida como parte de tudo que existe.

Mas não há qualquer indício de que este é o modelo de pensamento final. Pelo contrário, a mudança é o que há de mais constante na história. Nômades, animistas, politeísta, monárquicos, republicanos, parlamentaristas, democráticos… A cada época elegemos uma nova forma de se organizar, de pensar, de agir.

Há quem busque a certeza, quem ache que o conhecimento trará respostas exatas capazes de dar alivio, quem queira escutar que nada mudará, que tudo será sempre do jeito que sempre foi. É de se compreender, afinal é frustrante passar a vida toda aprendendo sobre o mundo e ao final perceber que não chegou nem perto de entendê-lo e, pior, concluir que ele já mudou tanto que o pouco que sabe não serve mais.

Depois de atestar que a Iugoslávia não existia mais, me perguntei no porquê de acreditar tanto na solidez dessas criações teóricas. As vezes tudo parece ser eterno, mas é porque somos apenas um pixel dentro de frame de um longa metragem e, apesar disso, não aproveitamos a liberdade que nossa insignificância nos traz, ao invés disso, estamos preocupados com o que vão achar de nossa roupa, das nossas preferências e atitudes.

De qualquer forma, daqui a milhares de anos, seremos retratados como selvagens incautos, nossas religiões serão mitos, nossa ciência, primitiva e nosso modo de vida atrasado. E talvez , algum aluno duvidará que seus ancestrais vieram da terra e acreditavam que tudo se movia abaixo da velocidade da luz.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: